Pense nos detalhes – Parte 2

Baixe como e-book

Como foi dito pelo Josué de Oliveira no texto aqui publicado há uma semana, o diabo mora nos detalhes. Tais detalhes, quando estamos produzindo um livro digital, são tão numerosos que podemos imaginar a morada do dito cujo como um castelo. Ou pelo menos uma mansão cheia de cômodos, dentro dos quais ele consegue espalhar suas minuciosas armadilhas, tão discretas quanto fundamentais à produção de um e-book de qualidade.

No texto de hoje pretendo investigar um dos cômodos dessa grande mansão. Espero evidenciar que um descuido aparentemente insignificante pode alterar significativamente a visualização do livro digital que está sendo produzido. Trata-se da aplicação de classes específicas aos títulos dos capítulos, subcapítulos e outras partes de um e-book. Tais classes, descritas nos HTMLs com as tags de <h1>, <h2>, <h3>, etc, determinam a hierarquia dos títulos. Assim, quando determinada linha do meu código está descrita no HTML como um <h1>, isto significa que ela está acima do <h2>.

Se, por exemplo, meu e-book possui duas partes que são subdivididas em capítulos, os títulos das partes devem ser marcados com <h1> enquanto que os entretítulos dos capítulos serão os <h2>. Simples, não?

Mas, se é tão simples, em que parte do cômodo está o diabo? Sendo bastante específica, eu diria que no CSS. É nele que eu irei descrever as características das minhas classes <h1>, <h2>, etc. E, no caso das classes de títulos, é fundamental determinar essas características com precisão. Pois tanto os aparelhos de leitura, quanto os aplicativos, possuem configurações pré-fixadas para tais classes. O que significa que cada informação não especificada por você ao produzir o seu livro digital será preenchida com a configuração do próprio aparelho ou aplicativo.

Por que isso é tão grave? Digamos que, por exemplo, seus capítulos estejam com a classe <h1> e você deseje que eles usem uma fonte linda serifada. Caso você não determine que o estilo da fonte é normal, em alguns alguns casos a fonte automaticamente irá ser apresentada em negrito, pois o font-weight padrão do <h1> é bold. Se a fonte escolhida por você não possuir uma versão em negrito, seu título será mostrado com outra fonte (serifada e em negrito) qualquer. Percebeu a gravidade que pode morar em um pequeno detalhe?

Além do peso da fonte, não devem ser esquecidas as indicações da família e do tamanho da fonte (font-family e font-size, respectivamente), do alinhamento do texto e do espaçamento da linha (text-align e line-height). Vale também indicar as margens superior, direita, inferior e esquerda, conforme a imagem abaixo:

Atentar para tais detalhes permite que o e-book seja lido da maneira que ele foi pensado e desenvolvido. Um detalhe, talvez, mas sem dúvida uma prova de qualidade do trabalho de produção do livros digitais.

escrito por Joana De Conti

Joana De Conti

Joana De Conti é formada em Ciências Sociais e mestre em Antropologia, mas se aposentou da vida acadêmica quando descobriu os livros digitais. Ela trabalhou por vários anos no departamento digital da editora Rocco. Ali, aprendeu quase tudo o que sabe sobre conversão de livros, participou de projetos editoriais lindos e produziu os e-books de muitos dos seus autores preferidos. Atualmente trabalha como assistente de contas na Bookwire. O cuidado com a qualidade dos metadados, com conhecer minuciosamente o catálogo das editoras e a preocupação com excelência e inovação nos arquivos dos livros digitais são parte da sua rotina. E ela continua trabalhando com os e-books de muitos dos seus autores favoritos.

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