Uma aprendizagem ou O livro digital na Rocco

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O investimento em e-books no Brasil teve inicio por volta de 2009 e 2010, quando algumas editoras começaram a converter seu catálogo para o formato digital. No entanto, tal investimento era ainda tímido e se concentrava apenas na etapa de produção.

Foi apenas no segundo semestre de 2012, com o ingresso das gigantes Amazon, Apple, Google e Kobo no Brasil, que o mercado verdadeiramente se movimentou de maneira a possibilitar novas formas de investir neste novo segmento editorial.

Nesta mesma época, a editora Rocco estruturava seu departamento de e-books¹, a iniciar com a minha contratação. Na época, tínhamos 150 títulos convertidos e a produção se dividia entre os departamentos de produção de nosso selo adulto e de nosso selo infantojuvenil. Tínhamos, portanto, duas frentes de produção independentes, cada uma aplicando um método de produção e organização.

Minha tarefa inicial foi levantar as informações de ambos os departamentos e unificá-las num modo próprio de organização. Depois analisei o nosso catálogo produzido e percebi que, apesar da mesma empresa fazer a conversão, as diferentes editorias possuíam estilos e preferências distintas, como, por exemplo, o posicionamento da ficha catalográfica, que um departamento mantinha no início do livro e o outro reordenava para o final.

Estas diferenças, apesar de pouco relevantes, mostraram a necessidade da criação de um manual de estilos para a editora, que foi produzido nos meses que se seguiram. Ainda falando da produção, foi feito um estudo de preços e qualidade de produção de diversas empresas nacionais e estrangeiras e, após os devidos testes, selecionamos duas para serem nossas principais fornecedoras.

Neste momento, precisávamos de uma guinada na produção para termos um catálogo relevante de forma a nos possibilitar o trabalho com os players que em breve estariam em território brasileiro. Em maio do ano seguinte, conseguimos, por meio de parceria com fornecedores externos, duplicar nosso catálogo digital e, no mês de outubro de 2013, havíamos terminado a conversão dos títulos de que possuíamos os direitos digitais, iniciando uma nova etapa de solicitação de adendos digitais (afinal, o catálogo da Rocco parece não ter fim).

Com os processos e padrões do selo digital definidos e a produção em dia, caminhamos para outras tarefas de ordem menos imediata. Começamos por ampliar nosso departamento com a contratação de Joana De Conti, em junho de 2013. Com a Joana na equipe, passamos progressivamente a nossa produção, que antes era totalmente externa, para uma rotina de produção interna.

A partir deste momento, a produção era feita pela Joana, assim como a coordenação das revisões, aplicações de emendas e algumas tarefas burocráticas. Com isto, o meu trabalho passou a ser mais de orientação e coordenação e foi se afastando da produção propriamente dita.

A contratação da Joana foi em grande parte o que possibilitou o investimento que veríamos no primeiro semestre de 2014, com projetos exclusivos digitais como a série da autora Helena Gomes, a publicação dos contos de Doctor Who, o reality show literário de Vinicius Campos e nossa campanha de incentivo a leitura de livros digitais nas redes sociais, que conta com as maravilhosas tirinhas de Stêvz e com os vídeos de dicas muito bem produzidos pela nossa equipe de comunicação.

O departamento amadurecido também possibilitou um melhor trabalho em parceria com os diversos players, de forma a estruturarmos campanhas para grandes lançamentos, englobando o digital nas ações de promoções de títulos e autores.

Cada vez mais vemos dentro da editora uma maior integração entre o digital e os demais departamentos, de forma que todos os dias surgem novos desafios e dificuldades, com os quais vamos lidando e tirando novas experiências.

Apesar de ter me me referido ao departamento como “amadurecido”, é importante frisar que, lidando diretamente com tecnologia, é necessário estar sempre estudando, se atualizando e, quando possível, experimentando possibilidades – com a consciência de que os erros podem ser tão construtivos quanto os acertos.

O fato é que, ainda agora, trabalhamos num mercado novo que está se desenvolvendo junto aos também recentes departamentos digitais das editoras. Este caráter de novo é o que muitas vezes traz dificuldades para o nosso dia a dia – mas também é o que o torna empolgante.

 


1. O Antonio Hermida propôs uma série de posts falando sobre a criação de departamentos de livros digitais. O primeiro post, da Cindy Leopoldo, contou como foi a experiência na Intrínseca e, para dar continuidade, resolvi compartilhar como foi estruturar o departamento de e-books da Rocco.

escrito por Lúcia Reis

Lúcia Reis

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense e é pós-graduanda em Marketing e Design Digital pela ESPM. Trabalha com conteúdo digital desde 2009 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

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