Departamento para livros digitais – 0.1

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Já há algum tempo tencionava escrever sobre modelos de departamentos e suas rotinas. Minha ideia inicial era descrever como se deu a criação dos departamentos digitais da Zahar e da Cosac, os principais erros e acertos do processo. Amadurecendo essa ideia, junto ao time do Colofão, resolvemos fazer uma série de artigos sobre implementação de departamentos digitais. Todavia, não faz sentido começar uma série de artigos sem um artigo introdutório, então, eis aqui.
A primeira coisa que se precisa ter em mente ao iniciar o planejamento de um Departamento Digital é que qualquer modelo, por mais completo que seja, não passa de um esboço.

Afinal, dentro de uma mesma editora, com um mesmo fluxo de fornecedores, por exemplo, encontramos diferentes workflows, mesmo para departamentos similares (ex.: dp. editorial Adulto X dp. editorial Infanto), por isso, a estruturação de um novo departamento (nesse caso, o digital) deve ser pensada diante de algumas variáveis.

Para responder, por exemplo, “Como será nosso fluxo de produção mensal?”, devemos levar em consideração uma série de fatores e variáveis:

  •  Avaliação de parceiros (players e livrarias)
    • Viabilidade contratual para lojas X, Y e Z
    • Viabilidades tecnológicas entre lojas
      • Possibilidade de se trabalhar com múltiplos arquivos
        ex.: Arquivos customizados para cada loja (distribuição interna ou terceirizada)
    • Lojas nas quais os arquivos serão vendidos efetivamente
      • Limitações técnicas que definirão que tipo(s) de arquivo será(ão) produzido(s)
  • Os contratos de DA estão liberados ou com prazos estimados?
  • Produção efetiva
    • Definição do que serão os padrões da editora
      • Elaboração de manual de estilo para fornecedores e revisores
    • Avaliação de fornecedores externos (ou conversões internas?)
    • Capacidade de absorção para fornecimento de primeira versão
      • Cotejo [ técnico e conteúdo ] (interno ou externo?)
      • Emendas [ técnicas e conteúdo ] (interno ou externo?)
    • Implementação da rotina da produção

Outra pergunta: “O fluxo financeiro destes processos pode, num primeiro momento, ser acrescentado ao de outros departamentos antes de se pensar em um centro de custo para o digital?”
É preciso ter em mente também que a rotina de produção necessita de alguém com algum conhecimento técnico dos formatos e dos pontos de venda.

Exemplo: uma determinada empresa afirma para um editor que o formato X não aceita recurso Y. O editor em questão, não familiarizado com a compra ou leitura de e-books, não tem como argumentar e dá o recurso por perdido. Afinal, é um especialista quem está dizendo que não dá, certo?

Como lidamos com livros desde antes de nossa alfabetização, eles se tornam algo tão natural ao manuseio que não precisam (geralmente) de manual de instruções (outro livro).

O livro é das tecnologias mais intuitivas que existem; não é por acaso que se mantém firme (apesar dos profetas do apocalipse do impresso).

Para um editor, que conhece, além do produto, os processos da cadeia de produção, é fácil pensar nas etapas e imaginar o resultado final. Resumindo, um editor conhece bem o produto que oferece, assim como o leitor/consumidor sabe o que esperar de um livro ao manuseá-lo.

Com livros digitais, mesmo o processo de compra muda, variando de loja para loja, de dispositivo para dispositivo.

Comprar livros impressos é como comprar qualquer outra coisa:
Escolhemos o livro, vamos até o caixa, pagamos e começamos a “utilizá-lo”.

Então, antes de decidir por vender um novo produto, o ideal é que se aprenda a comprá-lo e manuseá-lo.
Compre nas principais lojas para entender pelo que passa seu consumidor potencial. Observe o que atrapalha a fluidez de leitura e anote o que for proveitoso e aplicável. Eu defendo que essa é parte mais importante do processo de adaptação: entender seu (novo) produto.
Isso, por si só, já tira parte do desconforto causado pelo desconhecimento do que são livros digitais, além de dar uma boa base para discussão e análise.

Bem, como se trata de um artigo introdutório, não quero me alongar mais e nem me aprofundar em tópicos específicos. Não existe nenhuma grande novidade aqui: a maior parte do que descrevi já foi dita há mais de dois anos no Publish News. Infelizmente, alguns tópicos continuam atuais (apesar da entrada dos principais players no país).

Nos próximos artigos sobre o tema, compartilharemos experiências individuais com exemplos mais descritivos, não apenas com o intuito de ajudar a montar um departamento, mas visando, através dessas análises em retrospecto, melhorar os já existentes também, por que não?

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Obs.: Estamos fechando a pesquisa sobre hábitos de leitura, senão respondeu, não leva nem 2 minutos http://bit.ly/1ssKR8F
Nos próximos dias, divulgaremos os resultados.

escrito por Antonio Hermida

Antonio Hermida

Antonio Hermida cursou Análise de Sistemas (UNESA), Letras – Português-Latim (UFF) e Letras – Português-Literaturas (UFF). Começou a trabalhar com e-books em 2009, na editora Zahar e, em 2011, passou a atuar como Gerente de Produção para Livros Digitais na Simplíssimo Livros, onde também ministrava cursos (Produzindo E-Books com Software Livre) e prestava consultorias para criação de departamentos digitais em editoras e agências.
Coordenou o departamento de Mídias Digitais da editora Cosac Naify sendo também colunista do blog da editora.
Atualmente presta serviços e consultoria para diversas editoras.

Entre outras coisas, é entusiasta da cultura Open Source e tem Kurt Vonnegut como guru.

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