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Leitura digital

Baixe como e-book

A defesa do e-book como uma nova publicação, com peculiaridades específicas do formato, apresentando vantagens e desvantagens próprias, é geralmente reforçada pelo argumento de que a leitura digital é uma nova experiência de leitura e deve ser tratada como tal. Mas, afinal, o que há de tão diferente na leitura digital que a faz tão singular?

A experiência de leitura digital se distingue, primeiramente, pelo fato de estar necessariamente associada a um suporte. Ao comprar um e-book na player X, você não consome só o conteúdo daquela publicação, você consome também o suporte que é dado para que aquela leitura seja possível. Ou seja, você consome a experiência de compra, o download, os algoritmos de sugestão de leitura, as funções e facilidades do aplicativo da loja (e as dificuldades e bugs também), as políticas de troca e cancelamento de compra, o suporte a diferentes plataformas etc.

Dessa forma, o e-book, além de conteúdo, é também um serviço e, portanto, cada player necessariamente proporciona uma experiência de leitura própria. Além das diferentes plataformas, temos também, dentro de uma mesma plataforma, diferentes suportes para os devices (e respectivos apps) e diferentes formatos de livros digitais (vide faq). Cada uma destas características abre uma ramificação de experiências de leitura, tornando o universo digital amplo, de forma a agradar diferentes perfis de leitores e/ou usuários de tecnologia.

Essas informações podem parecer muito distantes e confusas para um leitor ainda não iniciado nos e-books, que conhece e prefere continuar a se ater à experiência de leitura proporcionada pelos livros impressos. Mas, se tentarmos abstrair um pouco e tratarmos o fator tecnologias diversas como possibilidades diversas, veremos que o universo de livros digitais pode ser mais similar ao de livros impressos do que imaginamos.

A edição impressa também é feita de diversas possibilidades de leitura. A diferença é que as possibilidades do impresso dependem unicamente das escolhas da editora e do livro recebido pelo leitor: um objeto fechado, resultado de tais escolhas. O processo de produção de um livro impresso, portanto, foca em uma experiência específica de leitura; porém, para fazer isso, precisa passar pelas leituras possíveis de forma a tomar as decisões que definirão o projeto do livro.

São definidas, deste modo, questões referentes ao acabamento do livro, à escolha de tipologia, elaboração de projeto gráfico de miolo e capa, se será brochura ou capa dura, qual papel será utilizado, qual o formato do livro etc. Todos estes fatores (e muitos outros) são decisões que a editora toma pensando num tipo específico de público e num tipo específico de leitura.

A diferença essencial do impresso e do digital é que, enquanto o impresso entrega apenas uma possibilidade para o leitor, o digital, obrigatoriamente, apresenta várias, pois o digital é uma junção de conteúdo e suporte, enquanto o impresso é um objeto hermético/autônomo. Dessa forma, na leitura digital precisamos pensar além dos gostos literários e avaliar perfis tecnológicos.

Um usuário de iOS se comporta de forma diferente de um usuário de Android, e existem fatores que levam uma pessoa a escolher um sistema operacional em detrimento de outro. Esses perfis indicam posturas tecnológicas que podem influenciar a forma de consumo de livros digitais deste usuário. Na verdade, o que ocorre é também uma junção entre conteúdo e suporte, na medida em que perfil de leitor e perfil tecnológico passam a coexistir de maneira intrínseca.

Todavia, ao se falar de leitura, é importante lembrar que existe um fator definitivo, independente de formatos e meios de veicular o conteúdo, fator que define toda e qualquer experiência literária: a catarse. A catarse é o que faz com que uma pessoa goste mais de ficção científica e outra goste mais de terror clássico, que faz com que uma pessoa ache determinado trecho de um livro clichê e outra ache romântico, que faz com que uma mesma pessoa possa ler um livro milhares de vezes e sempre ter uma nova experiência de leitura.

O digital, portanto, apesar de suas peculiaridades e diversas ramificações de experiências de leitura, tem uma função muito bem definida. O livro digital surge para criar novas possibilidades de experiências de leitura, para tornar mais acessível, em alguns casos, e para inserir a tecnologia nessa prática tão antiga, definidora de nossa sociedade, chamada leitura.

E você, leitor, o que pensa sobre leitura digital? Responda a nossa pesquisa, não leva nem 5 minutos: http://goo.gl/H3iDA3 [encerrada]

Para saber o resultado da pesquisa: http://goo.gl/pVhu0G

*Nota: o copyright da imagem deste post pertence a enzobernardo e foi adquirida no site Shutterstock.

escrito por Lúcia Reis

Lúcia Reis

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense e é pós-graduanda em Marketing e Design Digital pela ESPM. Trabalha com conteúdo digital desde 2009 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

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