Feedback – o retorno!

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Algo tão importante quanto a qualidade do briefing para criação de capas de livros é a qualidade da resposta da editora após a apresentação das primeiras propostas de layouts. É esta resposta que nós do mercado editorial chamamos de feedback.

Neste feedback, a editora deveria aprovar o layout ou apontar os problemas do projeto em relação ao briefing inicial ou em relação às expectativas comerciais da editora para possíveis ajustes e alterações.

Mas, infelizmente, o que acontece muito é ouvirmos apenas frases no imperativo, como:

— Mude a cor do fundo.

— Coloque a chamada mais para cima!

E a grande campeã na minha área de atuação:

— Aumente o tamanho do título e o nome do autor!

Ou seja, o que acontece bastante nos feedbacks é o cliente (autor ou editora) já impor uma solução visual a seu designer. Ele é tentado a exercer a função de capista sem ter formação para tal. Com isso, o cliente diminui muito a capacidade de o designer gráfico ajudá-lo a atingir um melhor resultado para a capa. O profissional de design, certamente, conhece outras opções e recursos visuais alternativos para destacar um título (alterar composição, cores, posicionamento, peso dos elementos) que não seja a opção mais óbvia de “aumentá-lo”.

O ideal nesse feedback seria apresentar apenas o problema (“o título não está chamando atenção”) e permitir que o capista contratado apresente ao cliente as melhores soluções para resolvê-lo sem um maior impacto no restante do layout.

Um case prático sobre este assunto:

Em um dos primeiros livros que fiz para uma editora daqui de São Paulo, o layout apresentado girava em torno da imagem de um baú do tesouro. A imagem fazia uma metáfora interessante com o título do livro e amarrava inclusive todos os outros elementos gráficos da capa, ou seja, o fundo, texturas, a tipologia e as cores. Tudo estava relacionado com o tal baú.

E veio o feedback da produtora editorial:

— Gostamos muito do layout, mas queríamos apenas uma modificação: por favor, tire o baú…

O que nos leva novamente ao ponto central deste post: a editora em seu feedback impôs uma SOLUÇÃO (“tire o baú”) em vez de apresentar o PROBLEMA — e destruiu a capa.

Em vez de seguir a “ordem” da editora, como a maioria dos prestadores de serviço fazem, resolvi perguntar qual era o motivo para a retirada do baú.

A resposta veio rápida. Achavam que a capa tinha ficado muito “cheia de elementos”, queriam “limpar um pouco a capa, deixá-la mais leve”. E, para deixar mais leve, queriam tirar justamente o elemento central de todo o layout. Problema certo, solução errada.

Quando a produtora aceitou o diálogo e me explicou o problema, pude oferecer uma outra opção bem menos drástica para solucioná-lo: redimensionar todos os itens da capa, aumentando os espaços vazios e dando mais leveza ao resultado visual como um todo.

Resultado: problema resolvido, capa aprovada e publicada… com baú.

Com um diálogo mais efetivo, produtivo (e menos impositivo) entre designers editoriais, produtores e editores, o produto final —o livro— sai sempre ganhando.

escrito por Rubens Lima

Rubens Lima

Rubens é designer gráfico editorial há 20 anos, capista especializado em livros técnicos, acadêmicos e profissionais e autor do blog “O Capista” desde 2010, publicação digital sobre criação de capas de livros e a relação entre designers, editores e autores. Dirige também, desde 2006, a Ilustranet, estúdio on-line de ilustração e desenho.

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