redes

Conteúdo e proximidade

Baixe como e-book

São muitas as ferramentas que uma editora tem para se aproximar de seu público e fidelizar leitores. Dois exemplos corriqueiros são o uso de redes sociais, praticamente unânime, e os blogs oficiais (como os da Companhia, da Intrínseca, da Rocco e da Record), onde se veiculam textos originais relacionados aos livros que estas casas editoriais lançam.

A estes, podem-se somar muitos outros. Aqui no Colofão, a Marina Pastore já elencou diversas iniciativas de editoras, sobretudo estrangeiras, que não visam diretamente vender livros, mas oferecer conteúdo que se relacione aos interesses dos leitores. Nesse processo, a editora salienta o próprio espaço de mediação entre o público e o mercado editorial, e a parte de vender por vir naturalmente nesse processo.

Sites voltados para gêneros literários, resenhas, recomendações: os exemplos apontados no texto, em sua maioria, são de espaços criados especificamente para cultivar a aproximação do leitor. Também há como fazer isso sem necessariamente desenvolver novos espaços, mas investindo nos já existentes e já utilizados por leitores.

Vou falar, com exemplos, de três meios, não necessariamente novos, mas cheios de possibilidades interessantes para o posicionamento da editora junto ao público. É um recorte muito particular e, é bom dizer, de alguém que não é da área de marketing, mas que me chamam a atenção e parecem dignos de nota. Locais onde estão leitores (ou possíveis leitores) e para os quais se pode criar conteúdo original e atrativo.

Podcasts

Não é primeira vez que falamos sobre o assunto aqui. O podcast é um formato absurdamente aberto em termos de conteúdo e forma. Os exemplos da Penguin Random House e da Tor são os únicos que conheço (não deixem de colocar nos comentários, se souberem de outros) de seu uso regular por uma editora.

A Penguin Random House veicula semanalmente o Beaks & Geeks, lançado em 2014. No podcast, as apresentadoras Lindsay Jacoben e Amy Brincker recebem autores lançados pela gigante estadunidense para entrevistas. Editores também fazem participações. A Tor tem o Midnight in Karachi, apresentado por Mahvesh Murad.

Em ambos os casos, a estrutura é bastante tradicional: um bate-papo entre duas pessoas, sem grandes experimentações, o que o torna familiar para quem já consome podcasts e receptivo para ouvintes de primeira viagem.

O apelo, a meu ver, está sobretudo em conhecer mais do autor, seu trabalho, inspirações etc. mas com uma pegada mais dinâmica do que, por exemplo, um texto no blog da editora. Há mais espaço para extrair informações interessantes, e o clima de conversa é leve e amigável.

Entre as editoras brasileiras, houve o Papo com o Dragão, da editora Draco, com três edições em 2014.

Youtube

O mais importante site de compartilhamento de vídeos do mundo é um território no qual as editoras brasileiras têm aos poucos se aventurado. Destaco alguns exemplos:

O vlog Abdução, da Aleph, semanal, apresentado por Daniel Lameira e Adriano Fromer. Os dois conversam tanto sobre livros específicos da editora quanto sobre temáticas e subgêneros.

A AUTv, canal do grupo editorial Autêntica (que engloba as editoras Autêntica, Gutenberg, Nemo e Vestígio), apresentado pelo booktuber Luan Felipe. Nos vídeos, que giram em torno de 3 minutos, autores conversam sobre seus livros e enfrentam desafios, a equipe editorial fala sobre os lançamentos do grupo e assuntos relacionados à literatura são abordados.

O vlog Draco Spirit, da Draco, apresentado por Lívia Stevaus e Janaína Chervezan, que falam sobre os lançamentos da editora, entrevistam autores e fazem cobertura de eventos.

O canal da editora Seguinte (selo de literatura jovem da Companhia das Letras), criado há cerca de um mês e com vídeos novos toda terça-feira. Além de novidades sobre lançamentos, houve respostas a perguntas e dúvidas de leitores, incluindo uma entrevista com a gerente de direitos do grupo.

É uma nova zona a ser explorada, com algumas práticas já definidas (a necessidade de atualizações com certa periodicidade para fidelizar o público e trazer assinantes, por exemplo) e até mesmo um tipo de linguagem específica. Há também os desafios práticos, como o roteiro e a edição dos vídeos (contratar alguém para fazer isso dentro da própria editora? Terceirizar o serviço?). Enfim, novas possibilidades e novas problemáticas.

Snapchat

Vídeos, fotos e textos que ficam disponíveis por 24 horas e então são deletados. Pode parecer estranho que editoras produzam conteúdo para esta plataforma, que valoriza o transitório, o momentâneo; no entanto, não se pode ignorar o potencial de um aplicativo com 150 milhões de usuários ativos, ainda mais considerando seu sucesso entre os jovens, um público que interessa cada vez mais ao mercado editorial. Algumas editoras, como as listadas nesse post, já estão usando o aplicativo.

É um local onde se pode, por exemplo, publicar sobre bastidores da editora de forma ágil e divertida, ou até mesmo criar programações periódicas para os seguidores mais fiéis (como a Intrínseca, por exemplo, faz). E, se não o Snapchat em si, talvez o Instagram venha a se tornar o lugar mais propício para conteúdos caracterizados pela rapidez e dinamismo, já que inaugurou recentemente o Instagram Stories, recurso destinado a postagens efêmeras, de momento, que também desaparecem após 24 horas.

Num mundo como o nosso, ininterruptamente conectado, não cessam de surgir meios que podem ser apropriados para aumentar a proximidade e relevância para com o leitor. É um cenário desafiador e, ao mesmo tempo, estimulante.

escrito por Josué de Oliveira

Josué de Oliveira

Josué de Oliveira tem 25 anos e trabalha com e-books há pouco mais de três. Integra a equipe de digitais da editora Intrínseca, lidando diretamente com a produção dos mesmos, da conversão à finalização. É formado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Tem alguns contos publicados em antologias e um romance policial que, segundo rumores, um dia ficará pronto.

Deixe um comentário