Adaptações

Baixe como e-book

O livro digital é ainda uma novidade no mercado editorial. No cenário nacional, tomamos como referência, principalmente, o mercado americano e suas experiências, assim como suas estimativas. No entanto, tanto no mercado nacional quanto no estrangeiro, há um conceito que parece nortear todo o âmbito do livro digital. Este conceito é o da adaptação.

O negócio do livro tem como essência histórica o papel, e, tendo se firmado com base em publicações físicas há séculos, não é de se estranhar que o referencial do mercado como um todo seja o de uma experiência de produção e comercialização de livros impressos.

A palavra de ordem é “adaptar”. E não há equívoco na escolha da palavra, e sim em sua utilização. É preciso, sim, adaptar-se às novas nuances trazidas ao mercado de livros com o advento tecnológico. Esta adaptação engloba, no entanto, muito mais do que basicamente converter seus livros para o digital.

É necessário compreender que os hábitos comportamentais têm se modificado em muito com as redes sociais, que o ritmo acelerado das rotinas exige mobilidade e que esta mobilidade pode encontrar um facilitador em novas tecnologias.

É importante não ver o micro do que é o e-book no mercado editorial, e sim enxergar o macro do que é a tecnologia no mundo e, dentro deste pequeno universo dos livros digitais, adequar as rotinas de forma a tirar melhor proveito das mudanças latentes no mercado.

Para isso, é necessário compreender o e-book de uma forma um pouco mais independente do livro impresso. De fato, o costumeiro no panorama atual é a adaptação de projetos impressos para o digital, e, mesmo na ventura de um projeto exclusivo em digital, há, geralmente, diversos modelos retirados do impressos a seguir, enquanto há todo um novo território não explorado pelo digital.

Antes de explorarmos mais estas novas possibilidades, é importante termos em mente que não é a partir de uma simples implementação de um departamento voltado para a produção de e-books que uma editora toma parte no cenário digital.

O livro digital, assim como o livro impresso, precisa passar por todas as demais etapas que fazem com que determinado título não seja apenas mais um na prateleira (virtual ou física). Para fazer isso acontecer é preciso que a editora como um todo se reformule e passe a considerar o digital dentro de sua rotina, da mesma forma que os departamentos de comunicação se reformularam e passaram a enxergar o potencial das redes sociais como ferramenta de divulgação e marketing.

Os e-books não precisam ser uma ameaça. Eles representam, sim, uma modificação no cenário editorial, um novo produto e, por consequência, uma nova fonte de lucro. No entanto, não são necessariamente concorrentes temíveis que desestruturarão as práticas exercidas no mercado. Além disso, os e-books podem muito bem ser utilizados de forma a fortalecer o mercado de livros de maneira geral. Podem ser utilizados como laboratório, como ferramenta pelos editores, como veículo de divulgação e marketing etc. É apenas necessário ter criatividade e, acima de tudo, coragem de experimentar as possibilidades trazidas pelos novos formatos. E para entender as possibilidades é preciso conhecimento. Conhecimento que só será adquirido dando espaço para este novo produto mostrar do que é capaz.

O digital não deve ser apenas uma reprodução virtual, não tangível, de uma experiência pensada unicamente para o formato impresso. O digital necessita ter vida própria para a ganhar espaço de forma a demonstrar como ele pode compor essa nova configuração do mercado editorial.

escrito por Lúcia Reis

Lúcia Reis

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense e é pós-graduanda em Marketing e Design Digital pela ESPM. Trabalha com conteúdo digital desde 2009 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

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