3 motivos para fazer do feedback para o colaborador um hábito

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Eu odiava pedidos de feedback. Quando tinha que passar um, ficava dias enrolando, rascunhando, apagando e odiando tudo até sair alguma coisa.

Em compensação, eu também odeio quando não me dão feedback. É uma sensação horrível de mediocridade quando não há reação de quem contratou o trabalho: não parece ter sido bom o suficiente para render um elogio, mas também não foi ruim o bastante para encerrar a parceria.

Ando numa fase de simplificar tudo na minha vida, pesquisando métodos para tornar processos mais fluidos e cortar firulas desnecessárias. Outro objetivo é reclamar menos (passei um mês sem reclamar de prazos e achei curioso o quanto minha relação com eles melhorou). Assim, quando uma colaboradora nova me pediu um feedback, engoli todos os oh-céus-oh-vida-oh-azar que vieram à mente e passei a anotar os pontos fortes e os problemáticos do trabalho num post-it do meu lado enquanto liberava a prova.

Na hora de escrever o relatório, não pude deixar de me lembrar do texto da Liciane sobre briefing. Algumas coisas que precisei ressaltar como pontos negativos não estavam nas expectativas que tinha estabelecido para ela — ou pior, foram coisas que só então eu percebi que esperava, porque são tão integradas ao meu trabalho que parecem naturais. Quanto mais penso no assunto, mais percebo que os benefícios de um feedback não se resumem a recebê-lo, mas também estão presentes na hora de escrevê-lo. Cheguei à conclusão que gastar alguns minutos dando um retorno não é uma obrigação chata, mas algo que me torna uma profissional melhor.

Comecei essa rotina há pouco tempo, então não vou tentar forçar uma expertise que não tenho. Mas me sinto segura para apontar três motivos para você começar a dar feedbacks com frequência:

  1. Você melhora o seu quadro de colaboradores
    É claro, todo mundo quer estabelecer parcerias com os profissionais mais experientes e atentos do mercado. Só que nem sempre eles estão disponíveis, às vezes a qualidade do serviço começa a decair… Dar feedbacks garante que bons colaboradores permaneçam bons e que os inexperientes se aprimorem. Isso parece bem óbvio, mas nas prática é mais cômodo jogar o freelancer na geladeira para pensar no que fez.
  2. Você melhora o seu desempenho
    No geral, a avaliação de uma edição de texto é algo mais subjetivo do que, por exemplo, a de uma diagramação. Quando se passa a escrever feedbacks, é necessário embasar as suas críticas, o que aumenta a consciência do que é importante para você. É quase impossível imprimir um livro sem qualquer erro. Aí cabe ponderar que exigência é mais fundamental. Além disso, sabe aquele dúvida que sempre leva a uma pesquisa no meio do trabalho? Dar explicações e exemplos vai consolidar cada vez mais seu conhecimento.
  3. Você cria uma cultura editorial mais saudável
    O que valoriza um profissional na nossa área costuma ser a forma como ele trabalha, ou seja, precisamos criar diferenciais. Mas domínio da norma culta, padrões de gráfica e fundamentos de estética não são diferenciais. São o mínimo necessário. Quanto maior o número de profissionais que dominam o essencial, mais fácil fica o trabalho de cada um no processo. Quanto mais a excelência no básico for aprimorada, mais teremos tempo para o que realmente é único em nosso desenvolvimento: temáticas, complicações gráficas, formatos diferentes… E aumentam as chances de pegar um trabalho que satisfaça também as ambições subjetivas.

O ideal é dar feedback sempre, mas também é difícil implementar mais uma obrigação na rotina. Assim, fica aqui a sugestão de três tipos de colaboradores que acredito serem os que mais precisam de feedback: os que têm pouco tempo de mercado, os que estão trabalhando para você pela primeira vez e os que a qualidade do trabalho caiu de repente. Começar por estes pode ser um modo mais simples de aprender a dar bons feedbacks e colher resultados mais rápido, tornando o processo mais fluido e relevante no cotidiano.

escrito por Mariana Calil

Mariana Calil

Mariana Calil é formada em Produção Editorial na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Passeou pela produção gráfica, fez uma breve visita ao comercial e hoje é assistente editorial. Vive a utopia de que dá para trazer para o mercado a teoria da faculdade e levar para a academia a prática do cotidiano.

Um comentário sobre “3 motivos para fazer do feedback para o colaborador um hábito

  1. Ótimo texto (e ótima postura profissional)! Gostaria que todos os produtores editoriais o lessem. Dificuldade enorme obter um bom feedback na área de criação de capas de livros. Um feedback que nos ajude a acertar o foco no próximo layout.
    Abs! Rubens Lima

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