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Navegação nos e-books didáticos. Pontos de referência

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Uma das preocupações de quem cria livros didáticos em formato digital é oferecer um recurso simples de acesso ao conteúdo. Em geral, temos a sensação de que encontrar informações é mais simples e rápido no impresso do que no digital. Podemos folhear o livro, consultar o sumário e achar uma página facilmente usando a numeração no rodapé da página.1

Temos ainda o índice de palavras no final do livro, as listas de imagens, de mapas, tabelas ou outros elementos que visam facilitar a consulta ao conteúdo.

Um livro digital não é diferente neste sentido porque possui praticamente os mesmos recursos, incluindo ainda a possibilidade de fazermos buscas por palavras especificas.2

O ePub3 vem mostrando-se um formato que pode tornar um livro didático bem mais acessível, fornecendo vários sistemas de “navegação” como por exemplo:

  • Sumário externo (TOC)3
  • Sumário Interno (links)
  • Pontos de marcação (landmarks)
  • Numeração de páginas4
  • Índices de palavras (links), Índices de imagens, Índices de tabelas…

A possibilidade de termos links nos permite criar qualquer tipo de lista que imaginarmos. A vantagem sobre o impresso está no fato de que a referência é mais precisa por ser feita diretamente para uma palavra, imagem, ou tabela específica e não para a página onde esta encontra-se.

Pontos de marcação (landmarks)

Um dos novos recursos do ePub3 é a possibilidade de termos landmarks, uma marcação semântica que defina as partes do nosso livro. Este recurso pode ser usado em combinação com os sumários e listas para criamos um sistema de navegação mais completo.5

sumário
A ultima versão do Adobe Digital Edition permite a navegação usando os pontos de marcação (landmarks) além do sumário (TOC) normal.

Em um ePub3 os pontos de referências ficam armazenados dentro do arquivo toc.xhml onde está presente o TOC6.

<nav epub:type=”landmarks”>
<ol>
<li><a href=”capa.xhtml” epub:type=”cover”>Capa</a></li>
<li><a href=”rosto.xhtml” epub:type=”titlepage”>Folha de Rosto</a></li>
<li><a href=”cap01.xhtml” epub:type=”bodymatter”>Início</a></li>
<li><a href=”bibliografia.xhtml” epub:type=”bibliography”>Bibliografia</a></li>
</ol>
</nav>

A definição de um ponto de marcação (landmark) é feita através do atributo epub:type com a definição dos elementos já padronizados7. Alguns exemplos:

  • cover (Capa)
  • toc (Sumário)
  • titlepage (Folha de Rosto)
  • bodymatter (Conteúdo principal)
  • acknowledgements (Agradecimentos)
  • dedication (Dedicatória)
  • epigraph (Epígrafe)
  • foreword (Prólogo)
  • preface (Prefácio)
  • introduction (Introdução)
  • frontmatter (Elementos pré-textuais)

Estas marcações servem para definir de maneira clara a função de cada arquivo XHTML dentro da estrutura do nosso livro digital.

Os landmarks são essenciais na criação de um arquivo ePub3 e todos os sistemas de distribuição exigem a presença destas marcações.8

Podemos, porém, usá-las também para a navegação no documento. O Adobe Digital Edition, por exemplo, apresenta, junto ao sumário, a possibilidade de navegarmos pelo documento usando estes pontos de marcação.9

Definir landmarks de modo fácil no Sigil

Com a última versão do Sigil10, gerar pontos de marcação é muito simples e prático.11

Precisamos apenas acrescentar uma marcação semântica nos nossos arquivos XHTML e o Sigil cuidará dos códigos a serem acrescentados no arquivo.

Clicando com o botão direito do mouse no arquivo XHTML, selecionamos a opção “Add Semantic” e escolhemos a marcação desejada dentro das opções apresentadas na listagem.

Captura de tela de 2016-05-18 09-38-37

Uma dica importante: é fundamental irmos marcando em ordem, de cima para baixo, para que depois tenhamos o resultado ordenado.

O Sigil ainda apresenta algumas inconsistências ao manipular estas marcações semânticas. Por exemplo, não temos uma informação visual que nos indique qual marcação foi utilizada e nem quando surgem repetições indesejadas.

Além disto, não temos recurso simples para “traduzirmos” os nossos pontos de marcação. Para fazermos isto precisamos editar o código do arquivo toc.xhtml e modificarmos o texto linkado12.

<nav epub:type=”landmarks” id=”landmarks” hidden=””>
<h1>Landmarks</h1>
<ol>
<li>
<a epub:type=”copyright-page” href=”../Text/creditos.xhtml”>Créditos</a>
</li>
<li>
<a epub:type=”toc” href=”../Text/sumario.xhtml”>Sumário</a>
</li>
<li>
<a epub:type=”introduction” href=”../Text/introducao.xhtml”>Introdução</a>
</li>
<li>
<a epub:type=”bodymatter” href=”../Text/cap1.xhtml”>Texto</a>
</li>
<li>
<a epub:type=”contributors” href=”../Text/autor.xhtml”>Autores</a>
</li>
</ol>
</nav>

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 Definir landmarks no Indesign CC

Caso você use a última versão do InDesign CC é possível definir os pontos de marcação antes da exportação para o formato ePub.

Selecione o box de texto principal do capítulo ou parte em questão13 e selecione no menu objeto a alternativa opções de exportação do objeto. Na aba EPUB e HTML selecione em epub:tipo uma das opções que o InDesign oferece.

Captura de tela de 2016-05-18 09-38-56

Nem todos os software leitores irão apresentar estes pontos de marcação assim como o ADE faz. Ainda assim, é importante definirmos corretamente no arquivo ePub pois o torna mais acessível ao acrescentar um recurso a mais de navegação pelo conteúdo.


1 Ou em outro lugar, sempre de modo a facilitar a consulta do livro sem ter a necessidade de abrirmos totalmente as paginas. A posição onde o número página é colocado faz parte da usabilidade de um livro impresso.

2 Este recurso está ligado ao software leitor e não ao arquivo ePub, podendo variar nas funções.

3 Gosto de chamar de “sumário externo” o TOC que é apresentado pelo software leitor e “sumário interno” a lista de links presente dentro do conteúdo do eBook.

4 Apesar de não ser recomendado o uso de numeração de páginas no ePub3 fluido, em livros didáticos é possível ter uma numeração que facilita o uso da versão digital em sala de aula. O PNLD recomenda este uso e teremos ocasião de vermos como aplicar isto em outro post.

5 É função do designer ou do editor do eBook cuidar para evitar que haja repetições entre os sumários, fazendo com que eles trabalhem em conjunto.

6 No ePub3, o TOC é definido dentro de um arquivo XHTML à diferença do ePub2, que usa o arquivo NCX com uma marcação mais complexa. No entanto, a maioria dos arquivos em ePub3 mantém os dois tipos de TOC para aumentar a compatibilidade com diferentes versões de softwares de leitura.

7 Ver especificações de acessibilidade do ePub3: http://www.idpf.org/accessibility/guidelines/content/nav/landmarks.php

8 Entre eles Apple e Kobo. O formato KF8 (Amazon) também utiliza este recurso.

9 Aqui é possível encontrar uma lista de software que fazem uso destes pontos de marcação: http://epubtest.org/testsuite/epub3/feature/landmarks-nav/

10 No momento em que escrevo trata-se da 0.9.5

11 Você encontra uma explicação em vídeo no curso online Técnicas de produção de livros digitais.

12 ATENÇÃO: não modifique o texto presente no epub:type, mas apenas o texto marcado pelo tag <a>.

13 Recomendo criar um estilo de objeto para as caixas de texto.

escrito por José Fernando Tavares

José Fernando Tavares

Trabalha com livros digitais desde o início de 2009. Com formação humanística, viveu 20 anos na Itália, onde atuou como gráfico e diagramador de livros. Ali conheceu e se apaixonou pelos livros digitais. Fundou como sócio a Simplíssimo Livros e, no início de 2014, a Booknando Livros, uma empresa voltada à produção e à formação de profissionais da área com cursos e palestras sobre o tema. Ama uma boa macarronada e um bom vinho!

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