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Bibliomundi, novo player no mercado brasileiro

Baixe como e-book

Na FLIP de 2015, como já mencionado em outro texto, a plataforma Bibliomundi foi anunciada, criando muita expectativa no mercado. Os ex-Xeriph, Raphael Secchin e Pedro Lopes, enxergaram a oportunidade de atender autores autônomos que procuravam vender seus e-books em livrarias nacionais e decidiram encabeçar este projeto, que acabou se tornando uma plataforma mais robusta do que o esperado inicialmente.

Diferente das demais plataformas de autopublicação do Brasil, a Bibliomundi permite ao autor distribuir o mesmo conteúdo, através de um único cadastro, em diversas livrarias, numa iniciativa bem parecida com a estrangeira Smashwords.

No momento, a Bibliomundi já tem cerca de dez livrarias parceiras fechadas, com foco nacional, como a Buqui e a Publiki, além de já contar com a Kobo e sua parceira, Livraria Cultura.

X-editor

A plataforma conta com ferramentas como PublishOne e Xeditor para facilitar a publicação para autores que tenham pouca ou nenhuma familiaridade com o formato digital, permitindo que eles escrevam numa ferramenta na nuvem que gerará o livro a ser publicado. Outra vantagem é que a plataforma atualmente está trabalhando não apenas com o DRM Adobe, mas também com o conceito de DRM social, no qual os dados do consumidor são registrados no e-book, permitindo que cópias piratas sejam rastreadas.

Mas a plataforma não se limita a atender apenas autores independentes e livrarias, contemplando também um acesso para editoras que quiserem utilizar a plataforma para distribuir seu conteúdo. A vantagem apresentada para a editora – e que também vale para os demais tipos de acessos – é que a Bibliomundi se propõe a apresentar dados demográficos de vendas que geralmente não são partilhados pelas distribuidoras. Doze editoras já fecharam parceria, entre elas, Valentina, Litteris, Vozes e Página 42.

relatorio

Segundo Raphael Secchin, “A Bibliomundi originalmente era para ser uma plataforma para autores autônomos, distribuindo nas grande lojas e disponibilizando informações sobre quem é seu mercado e quem é seu consumidor em dados demográficos para que eles possam abordar as editoras com mais informação. Mas, conforme fomos conversando com demais parceiros, percebemos que essa informação poderia ser útil também para as editoras e resolvemos abrir o leque e divulgar essa informação para todos nossos parceiros.”

Com o objetivo de fomentar o mercado editorial digital no Brasil, a Bibliomundi já começa suas atividades com iniciativas como o Prêmio Off-FLIP, com três categorias: Contos, Poesia e Literatura Infantojuvenil, fechando o ciclo iniciado no ano passado com o anúncio da plataforma no evento de Paraty.

A Bibliomundi tem ainda diversos projetos em seu roadmap, entre eles, um módulo de promoção integrando rotinas entre editoras/autores e livrarias, um guia explicando as principais especificações do IDPF e a abertura de modelos de integração para vendedores menores, possivelmente também para blogs literários e demais interessados que não possuem estrutura tecnológica independente para venda de e-books.
A proposta é bem bacana, mas fico com a seguinte pergunta: Como a Bibliomundi vai se posicionar no mercado? Seu caráter híbrido entre agregadora e plataforma de autopublicação deixa uma dúvida em relação ao gerenciamento dos interesses de seus parceiros.

É ótimo termos uma plataforma de autopublicação que seja independente, isto é, que não pertença a nenhuma livraria do mercado, pois o foco fica na fomentação da cultura e, principalmente, nos autores. A parceria com os players permite a visibilidade buscada pelos escritores que buscam simplificar os processos de autopublicação.

Minha dúvida é, onde as editoras entram aí? Até agora as editoras atendidas são editoras de menor porte, algumas delas com vendas diretas de livros impresso em seus sites. Talvez com suporte de plataformas como a Bibliomundi, as editoras optem por um modelo de venda direta de seus e-books e isso popularize DRMs alternativos. Mas vamos deixar as especulações de lado e concluir: é sempre bom ver o surgimento de novas ideias movimentando o mercado!

escrito por Lúcia Reis

Lúcia Reis

Lúcia Reis é formada em Letras: Português/Literaturas, pela Universidade Federal Fluminense e é pós-graduanda em Marketing e Design Digital pela ESPM. Trabalha com conteúdo digital desde 2009 e hoje atua como Coordenadora de Livros Digitais na editora Rocco. Como todo bom leitor compulsivo, tem mais livros do que a prateleira comporta, e possui muitos mais em sua biblioteca virtual! Lê e-books todo dia no trajeto para casa, ao som de sua banda favorita, Thin Lizzy.

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