Diário (digital) de Frankfurt

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Mais uma Frankfurter Buchmesse e com ela a certeza de que somos cada vez mais digitais – o mundo, ainda não o mercado editorial – e do quanto o que vemos nas ruas por aqui acontece em todo lugar do mundo, com todas as nacionalidades, o tempo todo. Seja em um metrô paulista ou em um tran frankfurteano (licença poética), todo mundo está olhando o smartphone em grande parte do tempo.

A questão que continua comigo é como fazemos para chegar cada vez mais a esses potenciais leitores e como criamos o hábito da leitura na tela, principalmente a interstitial reading, aquela leitura de conteúdos feitos para serem lidos nos intervalos e metrôs de cada dia. Porque nem todo livro deve ser digital, mas muitos podem ser.

Mas vamos lá, porque este texto fala sobre como o mundo – dos livros – está digital. Nada melhor do que os dias da Feira para dar a volta ao mundo e saber o que está acontecendo por aí. Além disso, ter a oportunidade de jantar e tomar cerveja com, por exemplo, a Head of Audience Development de uma das editoras top#5 mundiais. Um cargo criado por ela que tem por objetivo – achei incrível! – trazer e manter a audiência de clientes da editora no mundo todo, partindo de Londres.

Uma coisa é importante: o digital está crescendo, sim, e quando digo isso, falo principalmente da enorme quantidade de empresas, empreendedores e profissionais que têm abraçado essa causa e testado modelos, produtos, tecnologias e inovações. Isso é muito claro para mim! Como disse um dos palestrantes do Business Club, “we’re in a CULTURAL revolution”(anotei isso na primeira página do meu Moleskine como frase de motivação matinal).

Vou falar sobre os três principais pontos, que são para mim grandes áreas e que, na minha visão, são essenciais para que o universo digital consiga avançar:

1/ O que mais me deixou motivado a continuar na luta pelo mundo digital é a solidariedade. Tive ótimas reuniões e encontros com empresas e editores digitais e todos estão claramente se unindo para fortalecer a comunidade do livro e conteúdo digital. Sou um editor brasileiro e señor Javier é um editor de um país da América do Sul. Temos conteúdos em nossas línguas locais. Por que não fazer uma troca desses conteúdos, para que eles ganhem versões em idiomas locais e cada uma das editoras rapidamente tenha mais conteúdo!? Voilà.

Percebo uma rede se formando entre nós – malucos – que acreditamos que a leitura digital vai revolucionar os hábitos e fazer alguma diferença na vida das pessoas. Seja na democratização ao acesso, seja no hábito de formar mais leitores, ou ainda leitores mais frequentes pela conveniência de ter tudo na ponta do dedo.

2/ Outra coisa muito interessante que vi em Frankfurt foi a enorme (mesmo!) quantidade de softwares, apps, marketplaces e tecnologias para ajudar em todas as etapas do processo de produção, divulgação e venda digital. Desde uma empresa da Rússia que te permite fazer seu próprio app para vender seu conteúdo da forma que achar melhor (aí, digo ter a liberdade de manobrar além das modalidades de venda das lojas já estabelecidas), até uma plataforma criada na Indonésia que te permite vender e levar o acesso à leitura digital em locais com internet precária, devices simples e leitores que nem sempre têm um cartão de crédito. Eu disse Indonésia e não Brasil, apesar das semelhanças… mas os desafios são os mesmos nos chamados emerging markets, dos quais fazemos parte.

Além disso, os locais de venda são muitos: livrarias digitais (talvez as mais difundidas até agora), mas também apps locais, bibliotecas digitais públicas e privadas, transmedia com marcas e outras indústrias culturais, conteúdo on demand e por aí vai…

3/ Por fim, um ponto importante: compra e venda de direitos. No digital, como eu disse anteriormente, isso tem funcionado muito bem com trocas de conteúdo. Existe, sim, a venda de direitos, com advances sendo pagos da parte de quem compra o conteúdo para publicação, mas nem sempre é o caso. Parece ser uma mudança de modelo de negociação. Da venda para uma troca colaborativa, onde todo mundo, no final da equação, tem mais conteúdo somado à presença em mais territórios, com força de venda local. Conseguimos, sim, ao apertar um botão, publicar em 51 países, o que não significa que teremos força de divulgação e marketing locais para atingir os leitores daquele país.

André Palme

André Palme

André Palme é apaixonado pela leitura digital e pelas possibilidades deste universo. Hoje está à frente d’O Fiel Carteiro, uma editora 100% digital que possui mais de 180 e-books e audiobooks publicados e está presente em modelos inovadores de leitura. Foi o responsável pelo projeto que publicou o primeiro e-book de um reality show brasileiro, em parceria com o SBT.
Integra a Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e é Embaixador do Business Club da Feira de Frankfurt no Brasil…e torce para a bateria do celular não acabar durante o dia.

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